WAGNER MOURA FALA SOBRE O FILME ‘MARIGHELLA’

“‘Tenha cuidado para que Marighella seja corajosa’, advertiu um agente de repressão antes de uma das muitas tentativas de capturar o líder revolucionário durante a ditadura militar.” A passagem da biografia de Carlos Marighella, escrita por Mário Magalhães, retrata uma das principais facetas do protagonista do filme dirigido por Wagner Moura, que estreia na 69ª edição do Festival de Berlim, na Alemanha, de 7 a 17 de fevereiro.

Esta é a primeira vez que Wagner Moura, mais conhecido por seu papel como Capitão Nascimento no filme “Tropa de Elite”, trabalha como diretor. Em face disso, ele assumiu o desafio de reconstruir parte da trajetória de Marighella: poeta, militante comunista desde sua juventude, deputado federal e fundador do maior grupo armado de oposição à ditadura, a Ação de Libertação Nacional (ALN).

O filme, que vai do drama à ação, narra precisamente o período mais conturbado e radical da vida baiana como guerrilheiro. “Minha escolha por esse recorte também cumpre o desejo de que o filme seja popular, que muita gente enxergue, principalmente as pessoas por quem Marighella lutou, o que é um problema quando se pensa que o cinema é um entretenimento de elite no Brasil”, explica. em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato.

Para Mario Magalhães, autor da biografia, lançar a história de Marighella na tela grande é um ato de coragem. “Marighella nunca provocou tanto amor e ódio”, disse Marighella, “mas não é estúpido julgar Marighella sem conhecer sua trajetória. Ele está mais vivo do que nunca”, acrescenta o escritor quando perguntado sobre a adaptação de seu livro.

Pela escolha do personagem e do corte, Wagner Moura diz que o filme encontrou barreiras para conseguir financiamento. A produção também não deve ser exibida nos cinemas brasileiros. “Embora houvesse um boicote do filme em 2019, o governo de Bolsonaro – quando estávamos filmando – parecia uma piada – mas nós já estávamos vivendo uma grande polarização e crescente conservadorismo. À esquerda, depois houve a ‘petralha’ fazendo um filme. sobre o terrorista “e ninguém queria se associar com ele. Recebemos respostas agressivas, mas tenho certeza do filme que fiz e me preparei para isso”, diz o diretor novato, corajoso, bem como seu protagonista e referência de resistência.

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